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1. O CONCEITO DE COMUNIDADE
2. O CONCEITO DE PRÁTICA
3. O CONCEITO DE COMUNIDADE DE PRÁTICA
4. PRINCÍPIOS PARA O CULTIVO DAS COMUNIDADES DE PRÁTICA
5. COMUNIDADE DE PRÁTICA E ARQUITETURA ORGANIZACIONAL
1. O CONCEITO DE COMUNIDADE
Do ponto de vista da sociologia, uma comunidade é um conjunto de pessoas que se organizam sob o mesmo conjunto de normas, geralmente vivem no mesmo local, sob o mesmo governo e compartilham do mesmo legado cultural e histórico. Fichter (1967) no livro “Comunidade e sociedade: leitura sobre problemas conceituais, metodológicos e de aplicação” publicado pela EDUSP em 1973, propõe que:
“Comunidade é um grupo territorial de indivíduos com relações recíprocas, que servem de meios comuns para lograr fins comuns”.
Assim estudantes em um dormitório podem criar uma comunidade, assim como moradores de um condomínio, bairro ou cidade. No nosso caso estamos interessados numa:
“Comunidade como um grupo de empresas, representadas por seus líderes proprietários, que atuem no mercado brasileiro, na busca da melhoria dos resultados dos indicadores de desempenho de um negócio”.
2. O CONCEITO DE PRÁTICA
Segundo Beatrice Maria Carola Gropp e Maria das Graças Pinho Tavares (2006), em seu livro “Comunidade de Prática, gestão do conhecimento nas empresas”:
“A prática é um fazer determinado por um contexto histórico e social que, por sua vez, é responsável pela estrutura e significados. Nesse sentido, ela é sempre uma prática social envolvendo a atuação do ser humano como um todo. E implica a interdependência entre atividade, significado, cognição, aprendizagem e conhecimento, realizando a transformação e a mudança dos indivíduos e grupos numa trajetória temporal. Em conseqüência o conhecimento não é um conceito estático que se armazena e distribui em parcelas, mas se origina de um processo de construção e de transformação socialmente situados”.
Segundo Wenger, McDermott e Snyder (2002) em seu livro da Harvard Bussiness Scool Press “Cultivating Communities of Practice” a prática é:
“Um conjunto de modos socialmente definidos de fazer as coisas em um domínio específico: uma coleção de abordagens comuns e padrões compartilhados que criam uma base para a ação, comunicação, resolução de problemas, atuação e avaliação. Estes recursos comuns incluem uma variedade de tipos de conhecimento: casos e histórias, teorias, regras, modelos, princípios, ferramentas, especialistas, artigos, lições aprendidas, melhores práticas e heurística. Eles incluem tanto o conhecimento tácito quanto o explícito da comunidade. Ela também engloba uma certa maneira de se comportar, uma perspectiva sobre os problemas e as idéias, um estilo de pensar e em alguns casos uma instância técnica. Neste sentido, a prática é uma espécie de minicultura que mantém a comunidade unida”.
3. O CONCEITO DE COMUNIDADE DE PRÁTICA
Trata-se de uma organização focada na criação e compartilhamento do conhecimento com objetivo de aumentar a competitividade empresarial. Os conceitos de comunidade de prática e gestão do conhecimento andam de mãos dadas. Uma comunidade de prática é uma estrutura auto-organizada responsável pela construção do conhecimento aplicado na prática do dia-a-dia das pessoas e das organizações. Aprendemos que a prática, o fazer conjunto, criam mais do que produtos – criam conhecimentos, criatividade, aprendizado – criam comunidades de prática. Acredita-se que:
[As pessoas que têm uma tarefa em comum] "na medida em que passam tempo juntas, tipicamente compartilham informação, insight e aconselhamento. Elas se ajudam mutuamente a resolver problemas. Elas discutem situações, suas aspirações e necessidades, ponderam sobre assuntos comuns e exploram idéias e funcionam como caixa de ressonância. Elas podem criar ferramentas, padrões, desenhos genéricos, manuais e outros documentos - ou podem simplesmente desenvolver uma compreensão tácita que compartilham... Com o passar do tempo, eles desenvolvem uma perspectiva única sobre seu tópico bem como um corpo de conhecimento, práticas e abordagens comuns. Também desenvolvem relações pessoais e estabelecem maneiras de interagir. Elas até desenvolvem um senso de identidade comum. Elas se transformam em uma comunidade de prática". (Wenger, McDermott e Snyder, 2004:4-5)
É gente trabalhando junto, isto é, pessoas em interações sociais significativas que geram o aprendizado, o conhecimento e a criatividade. E isto produz conhecimento estratégico, que faz a diferença no mundo dos negócios, produzindo o destaque no mercado, impulsionando a competitividade e a economia. O conhecimento estratégico é aquele que produz, na prática do dia-a-dia, o valor agregado aos produtos (bens e serviços) possibilitando a permanência duradoura da empresa no jogo do mercado e não aquele que está nos manuais engavetados e planos que não saem do papel.
4. PRINCÍPIOS PARA O CULTIVO DAS COMUNIDADES DE PRÁTICA
Embora as comunidades de prática se desenvolvam naturalmente, uma quantidade apropriada de “estruturação” proporciona um bom impulso para sua evolução, ajudando seus membros a identificar o conhecimento, os eventos, os papéis e as atividades que catalisem seu crescimento. São princípios para o cultivo de uma comunidade de prática:
- Valor
- Evolução
- Participação
- Espaços
- Diálogo
- Segurança e aventura
- Ritmo
O princípio do valor
Uma comunidade de prática existe e se mantém porque agrega valor para seus membros, para a organização e para seus outros parceiros, uma vez que a participação nela é voluntária. Porém é difícil, tanto para os de fora quanto para seus membros, enxergar seu valor e explicitá-lo. Por isso uma das tarefas iniciais da estruturação de sustentação da comunidade é levantar a discussão a respeito de seu valor. A existência mesma da comunidade de prática se dá nos microcontatos diários de seus membros e é aí que se cria valor: uma dica passada de um para o outro, uma execução de tarefa melhorada por um comentário, um “caminho das pedras” ensinado, e por aí a fora. A partir do momento em que há espaço para que estes movimentos sejam explicitados, o valor da comunidade de prática passa a ser visível e até quantificável.
O princípio da evolução
A natureza dinâmica das comunidades de prática é a chave para sua evolução; suas estruturas básicas dão origem e evoluem em estruturas mais complexas e a capacidade de se redesenhar é central na continuidade/evolução dessas comunidades. Os pontos de partida para o desenho de uma comunidade de prática se compõem de:
- Encontros periódicos;
- Problemas para resolver;
- Projetos a serem desenvolvidos.
Os elementos da estruturação para o cultivo das comunidades de prática devem ser catalisadores de sua evolução natural, não tendo o propósito de impor uma estrutura, mas ajudar a comunidade a se desenvolver por seus próprios meios.
O princípio da participação
As pessoas participam das comunidades de prática por diferentes razões e, por isso, dentro delas há sempre níveis diferenciados de participação, podendo ser identificados os seguintes tipos de participantes:
- Nucleares;
- Ativos;
- Periféricos;
- “Sapos-de-fora”.
A chave para a participação nos diferentes níveis é a sensação de pertencer, conseguida por formas de relacionamento variadas: didáticas, por meios eletrônicos, em espaços privados dos subgrupos, em subprojetos que distribuem a liderança, entre outros.
O animador da comunidade é sempre um participante nuclear; os participantes periféricos são muito importantes para a comunidade; embora não “carreguem o piano”, não sejam assíduos, estão numa posição de aprender e, a qualquer momento, podem se transformar em membros ativos ou nucleares.
Essas posições mudam constantemente dependendo do assunto ou da prática que une a comunidade: um “sapo-de-fora” pode vir a ser um membro nuclear se a situação externa da comunidade mudar; um participante nuclear pode ser um periférico com o amadurecimento da comunidade e com a participação ativa numa nova comunidade que se engaje.
O princípio dos espaços
“Conversas ao pé do ouvido” são a alma da comunidade de prática, isto é, as relações um-a-um estruturam as relações mais comunitárias que ocorrem periodicamente. Nos encontros públicos das comunidades de prática, que são abertos a todos os seus participantes, mas não aos “sapos-de-fora”, são realizados os aspectos ritualísticos e simbólicos bem como os funcionais e práticos - trocas de dicas, resolução de problemas, discussões técnicas do campo comum de conhecimentos, e outros. Esses encontros são tão mais sustentadores da evolução das comunidades quanto mais derem espaço para as relações didáticas que mantêm as pessoas ligadas fora dos momentos coletivos.
Princípio da segurança e aventura
As comunidades de prática são um “lugar” em que as idéias nascentes podem ser discutidas sem a necessidade de serem defendidas, conselhos podem ser ouvidos sem a obrigação de serem seguidos, e conversas técnicas podem acontecer sem medo de envolvimento em planos de ação. Elas proporcionam um ambiente confortável e uma familiaridade, gerando segurança psicológica em seus membros. Porém, é necessário que produzam excitamento ao trazer novidades e pessoas com pensamento divergente em seus eventos públicos como conferências, sites eletrônicos e feiras (virtuais ou presenciais).
“Lugar” significa que existe “um contexto compartilhado em constante mutação, no qual o conhecimento é compartilhado, criado e utilizado. O “lugar” provê a energia, a qualidade e os ambientes para execução das conversações do conhecimento individual e do percurso ao longo da espiral do conhecimento.
Princípio do ritmo
Há cadências variadas dentro das comunidades de prática, alternando os momentos de excitamento com os rotineiros; também há um ritmo que é adequado a cada comunidade de prática. Tal métrica é marcada pelos eventos públicos que ela produz, como seus encontros face-a-face periódicos, mudanças do conteúdo do website, celebrações, feiras, e outros. Quando o ritmo é correto isto proporciona vivacidade à comunidade e a ajuda a manter-se ao longo do tempo e a evoluir.
Porque comunidades de prática são coisas vivas, elas requerem uma abordagem da arquitetura organizacional que leve em consideração a importância da paixão, dos relacionamentos e das atividades voluntárias nas organizações. Ao invés de focalizar a abrangência e o ajustamento, o desenho da comunidade se concentra em energizar a participação. Em lugar de desenhar estruturas finalizadas, usa-se a estruturação como um catalisador para o crescimento e desenvolvimento da comunidade. Esta abordagem entremeia desenho e implementação, tornando a estruturação um aspecto recorrente da vida da comunidade, não um precursor de sua existência – uma parte da própria comunidade e não uma atividade de alguém de fora. O desafio de desenhar estruturas naturais como as comunidades de prática é a criação de uma abordagem da estruturação que redefina a própria reestruturação.
5. COMUNIDADE DE PRÁTICA E ARQUITETURA ORGANIZACIONAL
Esqueçam os organogramas! Comunidades de prática não são estruturadas através de organogramas. A tabela a seguir apresenta alguns diferenciadores entre grupos formais, times de projeto, redes informais e comunidades de prática.
Diferenciadores |
Grupos
Formais |
Times de
Projeto |
Redes
Informais |
Comunidades de prática |
Qual objetivo? |
Entregar um produto (um bem ou um serviço) |
Executar uma tarefa específica |
Coletar e trocar informações |
Desenvolver capacidades de construção e troca de conhecimentos |
Quem pertence? |
Hierarquia |
Definidos pela liderança |
Amigos, colegas de trabalho |
Membros se selecionam |
O que aglutina? |
Ordens de serviço e objetivos comuns |
Etapas e metas do projeto |
Necessidades recíprocas |
Paixão, compromisso e identidade com tema/especialidade do grupo |
Quanto tempo? |
Até a próxima reorganização do grupo |
Até conclusão do projeto |
Enquanto houver justificativas para conectar |
Enquanto houver interesse dos membros na manutenção do grupo |
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